Num novo projecto coordenado pelas Profs. Alexandra Gago da Câmara e Helena Murteira do CHAIA/Univ. Évora, com coordenação e apoio de Octávio dos Santos, e desenvolvido pela Beta Technologies, a Real Ópera do Tejo ganhou nova vida e uma envolvente: agora, para além de uma remodelação das fachadas, foi reconstruída a maior parte da área do Palácio Real, incluindo o palácio manuelino e filipino, a Torre de Terzi, assim como os jardins com a Torre do Relógio, a Rua da Capela, e as quadras (pracetas) no interior do palácio manuelino (ficando para a fase seguinte a reconstrução da Patriarcal).

No seguimento deste trabalho de reconstrução em modelação 3D (conhecido por “arqueologia virtual”), o modelo desenvolvido em 2006 para a Real Ópera do Tejo sofreu algumas alterações a nível das fachadas e das entradas. Tratou-se de um trabalho de investigação elaborado a partir de diversas plantas da época e novas gravuras, que mostram que a proposta anterior não estaria inteiramente correcta — pois não permitiria a passagem de carruagens na Rua da Capela, a norte da Real Ópera. É assim que se espera que este projecto continue a levar aperfeiçoamentos e melhorias, à medida que são tomados em consideração novos elementos históricos — os trabalhos na Real Ópera “virtual” têm continuidade no tempo e não são “estáticos”.

Deu-se assim uma nova vida a uma Lisboa barroca, desconhecida, de um tempo que não é o nosso e do qual só podemos guardar a memória.

Podem ser vistas mais imagens neste álbum de fotos e em breve será publicado o trabalho apresentado em workshop no VAST2008 em que a zona ocidental do Terreiro do Paço foi mostrada.

Embora a tecnologia utilizada continue a ser o Second Life, o trabalho desenvolvido, nesta fase, ainda se encontra numa área de acesso restrito. No entanto, serão sempre possíveis visitas excepcionais, a combinar (contactar a Beta Technologies para o efeito).

Com tempo, e com a expectativa de financiamento adequado, o objectivo final será o da reconstrução de toda a Lisboa pré-pombalina nas vésperas do Terramoto de 1755. Trata-se de um projecto decerto ambicioso e que não prevê apenas a mera “reconstrução”, mas sim a criação de um espaço interactivo e imersivo onde os visitantes, no Second Life, possam assistir a espectáculos de música barroca, efectuar visitas guiadas por especialistas da época, assistir a congressos online, e, quiçá, efectuar formação remota neste período tão fascinante, totalmente rodeados de uma Cidade Perdida que não é a Lisboa que conhecemos de hoje.