
É provavelmente o acontecimento musical do ano em Portugal, e certamente um dos principais acontecimentos culturais em geral no nosso país em 2025. No passado dia 10 de Dezembro foi apresentada em Lisboa, na Biblioteca da Imprensa Nacional na Rua da Escola Politécnica, em estreia mundial, a versão integral de texto e música – esta em três discos compactos – de «Guerras do Alecrim e Manjerona», numa interpretação d’Os Músicos do Tejo – gravada entre 10 e 13 de Dezembro de 2021 no (pequeno auditório do) Centro Cultural de Belém, com direcção artística e musical de Marcos Magalhães e de Marta Araújo – e numa edição da Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Com texto de António José da Silva e música de António Teixeira, e levada à cena – no Teatro do Bairro Alto – pela primeira vez em 1737, «Guerras do Alecrim e Manjerona» é uma ópera e uma «divertida “comédia de enganos”» que apresenta «uma sátira exemplar da sociedade portuguesa setecentista, (com uma) dupla intriga amorosa (em que) há fidalgos galantes mas sem ética, aristocratas avarentos, exageros barrocos, críticas à justiça, à medicina e às rivalidades entre grupos carnavalescos». A INCM assegura que «a fruição desta obra pode ser feita seja lendo-a a partir do texto, em revisão cuidada a partir do fac-símile da edição de 1744, seja ouvindo o registo áudio. A gravação, com som de alta qualidade, inclui a integralidade das partes faladas, assim como todas as maravilhosas árias e conjuntos vocais que dela são parte integrante e essencial.»
A concretização deste projecto e a sua comercialização junto do grande público constitui igualmente uma forma mais do que condigna – grandiosa, mesmo – de Os Músicos do Tejo assinalarem e celebrarem 20 anos de existência e de actividade. Desde 2005 que este agrupamento de Lisboa vem dando espectáculos no nosso país e no estrangeiro, além de construir uma discografia onde já se destacavam trabalhos como «As Árias de Luísa Todi», «La Spinalba» e «Il Trionfo del Amore» de Francisco António de Almeida, e «Il Mondo della Luna» de Pedro António Avondano.