Após o terramoto, a reconstrução
Após o terramoto, a reconstrução

De «quase» a «quase»

É verdade que o acontecimento, os seus protagonistas durante e depois do mesmo, e, em geral, a época em que se deu podem e devem ser recordados, referidos, todos os dias do ano, mas é indubitável que é a 1 de Novembro que o Terramoto de Lisboa ganha sempre uma outra, e maior, ressonância. E com a data a aproximar-se mais uma vez, será oportuno dar destaque àquela que foi a maior figura daquele tempo, Sebastião José Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal…

… Através de mais uma biografia a ele dedicada. Intitulada «De Quase Nada a Quase Rei», foi escrita por Pedro Sena-Lino e publicada pela editora Contraponto em Setembro de 2020. Dois anos depois, no blog Delito de Opinião, Pedro Correia escolheu aquele como um de «dez livros para comprar na Feira» (do Livro de Lisboa de 2022). «É natural que alguém tão marcante tenha fascinado os nossos escritores, que lhe dedicaram biografias. Aconteceu, por exemplo, com Camilo Castelo Branco e Agustina Bessa-Luís. Mas o mais bem-sucedido neste domínio é um contemporâneo que se vem notabilizando sobretudo pela escrita poética: Pedro Sena-Lino assina aqui um minucioso retrato do Marquês, sem lhe enaltecer em excesso as virtudes nem lhe esconder os defeitos. Numa escrita elegante e bem fundamentada em documentos da época, incluindo cartas do biografado, que gostava de escrever para a posteridade, consciente de que viria a figurar em destaque nos manuais de História. “De Quase Nada a Quase Rei”: excelente título capaz de resumir o sinuoso percurso de Sebastão José de Carvalho e Melo (1699-1782), que à mercê de caprichos do destino e da sua vontade férrea se tornou um dos dirigentes mais afamados na Europa do seu tempo. Acima dele, no reino lusitano, só estava o monarca, D. José, que lhe confiou plenos poderes. O cenário mudou em 1777, com a ascensão ao trono da sua filha, D. Maria I: Pombal caiu em desgraça, foi desterrado para sempre de Lisboa e por pouco não teve a mesma triste sorte de vários opositores políticos que mandou executar com requintes de malvadez. Viria a morrer longe da corte, abandonado pela legião de aduladores que o rodeava nos tempos áureos. Mas o seu nome, de facto, passou à História. Ele cuidou disso nos documentos epistolares que nos legou. “É a partir desta imagem de Sebastião José por si construída como defesa no final de vida, e perpetuada em parte pela I República, que outras figuras políticas portuguesas se vão construir – como António de Oliveira Salazar”, assinala Pedro Sena-Lino. Numa frase que talvez prenuncie outra biografia da sua lavra.»

Outro facto muito importante que justifica a leitura e até a aquisição desta obra é o não estar escrito em sujeição ao abominável «acordo ortográfico de 1990», algo pelo qual é de louvar o seu autor.

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