Ópera do Tejo

CCB apresenta ópera «Antígono» a 21/22 Janeiro 2011

Citando do site do CCB:

ÓPERA EM TRÊS ACTOS DE ANTONIO MAZZONI COM LIBRETO DE PIETRO METASTASIO (1755)

O hiato temporal a que a natureza condenou Antígono foi imerecido castigo. Não é, contudo, a arqueologia que nos move. No século XXI, o nosso barroco só poderá ser um barroco digital.
- Carlos Pimenta
A malograda Casa da Ópera do Paço da Ribeira, inaugurada em Março de 1755, foi provavelmente a única que assistiu à interpretação da ópera Antígono, em cena aquando da destruição daquele espaço com o terramoto de 1 de Novembro. O libreto, da autoria de Pietro Metastasio e um dos preferidos pelos compositores da época, conta os “estranhos desastres” que sucedem a Antígono, rei da Macedónia, desde que se junta a Berenice, princesa do Egipto. A partitura de Mazzoni, que regressa agora à vida com o Divino Sospiro, sofreu um trabalho de edição crítica da responsabilidade de Nicholas McNair.

Libreto de «Alessandro nell’Indie»

A ópera «Allesandro nell’Indie», cujo excerto do concerto dado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa em 2005 e gravado pela Antena 2, que gentilmente cedeu autorização para sua inclusão neste projecto de recriação virtual da Ópera do Tejo inserido na Lisboa barroca antes da sua destruição pelo terramoto em 1755, foi composta por David Perez com libreto de Pietro Metastásio e apresentada na Primavera de 1755.

Existe um facsimile do libreto original em: http://www.archive.org/stream/alessandronellin00meta#page/n7/mode/2up

Graças ao notável e exemplar trabalho de tradução Drª Salomé Pais Matos, a quem agradecemos imenso a sua disponibilidade, apresentamos aqui um resumo da acção do mesmo, em português: Allessandro nell’Indie – resumo da acção

Projecto “City and Spectacle” com novo vídeo

A equipa de investigadores do CHAIA que têm estado a continuar o projecto “City and Spectacle” com o objectivo de recriar a totalidade da Lisboa barroca em ambiente Second Life®/OpenSimulator, lançou mais um vídeo de apresentação do trabalho realizado até agora:

Tem havido alguma polémica com um projecto semelhante lançado recentemente pelo Museu da Cidade, com o mesmo âmbito, que claramente se “inspirou” neste sem no entanto lhe fazer qualquer referência. Ver notícia no «Correio da Manhã».

Nova revisão do projecto “City and Spectacle”

O projecto “City and Spectacle: A Vision of Pre-Earthquake Lisbon“, coordenado cientificamente pelo CHAIA (Universidade de Évora), implementado tecnicamente pela Beta Technologies, e com coordenação musical de Octávio dos Santos, esteve a remodelar o projecto da recriação virtual, em ambiente Second Life, da Lisboa desaparecida com o terramoto de 1755.

Com o objectivo de apresentar os resultados no VSMM 2009, foram feitas diversas alterações às fachadas da Ópera do Tejo, resultado de uma análise de novos documentos e gravuras de trabalhos arquitectónicos realizados por Bibiena no mesmo período.

Para além da Ópera do Tejo, a maior intervenção foi na Praça da Patriarcal, mediante uma planta do período que foi criteriosamente analisada. Tal como no caso da Ópera do Tejo, não se conhece o aspecto da fachada da Patriarcal, pois não existem gravuras que a mostrem; apenas existe uma gravura das ruínas que mostra alguns edifícios existentes na praça. Os interiores, pelo contrário, encontram-se detalhadamente descritos e serão oportunamente desenvolvidos em trabalhos posteriores.

Na reconstrução virtual também foi alterada substancialmente a Rua da Capela (que dividia a Ópera do Tejo do complexo do palácio real manuelino e da Patriarcal), os jardins do Palácio Real, e a torre de relógio de Canevari.

Please enable Javascript and Flash to view this Blip.tv video.

Para além deste vídeo estão igualmente disponíveis algumas imagens.

A «outra» Ópera do Tejo

«Ao aproximarem-se, todos os coches, incluindo o que levava William Beckford e Manuel Maria du Bocage, pareciam ser atraídos por uma imensa e irresistível força gravitacional. Os veículos, provenientes de todas as ruas em redor do enorme e esplendoroso edifício, giravam em sua volta quais pequenos satélites em torno de um astro muito, muito, muito grande. O crepúsculo que entretanto começara, fazendo acentuar mais as cores branca e dourada daquele secular templo erigido em honra e glória da arte e do entretenimento, conspirava com os sentidos e as emoções para diminuir a ténue distância entre a realidade e a fantasia.

O Teatro Real do Paço da Ribeira, mais conhecido como Ópera do Tejo por se situar junto ao oceano com o mesmo nome que banha Lisboa, era famoso não só no sistema solar Europa mas em toda a galáxia Terra como a maior, melhor e mais bela casa da música. Projectada pelo italiano Giovanni Carlo Bibiena e inaugurada somente sete meses antes, em Abril, fora quase completamente destruída pelo terramoto e chegou a recear-se que tivesse sido como um cometa, uma estrela cadente, que brilhara intensa mas brevemente. Mas não: a sua reedificação fora considerada prioritária… e os últimos retoques haviam sido dados apenas uma hora antes; ainda se viam autómatos-operários a proceder às derradeiras verificações. A sua excelência, evidente nas dimensões exageradas, nos luxos ostensivos e nas tecnologias avançadas, limitava-se a reflectir a predilecção do povo daquele planeta pelo culto dos sons. (…)

Nesta, pode dizer-se, segunda inauguração, não se tinham poupado esforços nem despesas para tornar o momento, lá dentro, o mais memorável possível. Mas cá fora o ambiente também era de efusiva festa: estava a ocorrer uma rara – embora involuntária – confluência de classes sociais, que se misturavam sem se confundirem. Das dezenas de coches, que sucessivamente iam parando à entrada principal do teatro, saíam as famílias ricas, influentes e elegantes, as representantes da mais antiga e fina nobreza de Lisboa e de Portugal, e ainda várias estrangeiras, igualmente afluentes, e residentes neste planeta, ligadas ao comércio, às embaixadas e não só, e muitos outros forasteiros que haviam vindo a esta capital especificamente para esta ocasião – porque eram amantes da música ou porque eram exibicionistas adoradores da moda que esperavam ter as suas imagens reproduzidas em todas as colunas cósmicas. Ao subirem as escadas que davam acesso ao interior do edifício, eram rodeados pelos melómanos das classes média e baixa, que queriam ver de perto aqueles que invejavam.  Porém, e como seria de esperar, não faltavam, bem colocados e dissimulados entre a multidão, diversos polícias enviados por Pina Manique como prevenção… (…)

O milionário e o poeta, tal como os restantes privilegiados, lá conseguiam, com maior ou menor dificuldade, passar e penetrar através do resplandecente portal que, para muitos, era como uma porta para um paraíso prematuro… aquele do deslumbramento pela imaginação humana. Uma vez dentro, o difícil era não expressar o encantamento pelos interiores do teatro, que já se adivinhavam do exterior, e que eram o resultado do trabalho dos artificies com maior erudição e das máquinas com maior precisão. A Ópera do Tejo podia dividir-se em três áreas principais: o átrio, que era um enorme, confortável e polivalente espaço de convívio; os ateliers, salas equipadas com uma quase infinita variedade de instrumentos e equipamentos musicais, colocados à disposição dos amadores e dos profissionais para distracção, exercício e/ou gravação antes, durante – nos intervalos – e depois dos espectáculos; e o anfiteatro… do teatro, autêntica nave de uma catedral consagrada à criatividade, com os camarotes, a plateia e o palco mais próximos da perfeição que se podia conceber. E, naturalmente, em todo o edifício continuamente se espalhava, como fragrância em frequência modulada, os sons de música, ao vivo ou gravada, de diferentes composições e em diversos estilos.

Beckford não conseguia, nem queria, esconder o estado de felicidade, quase de beatitude, em que se encontrava; era como se estivesse na sua verdadeira casa, no seu autêntico lar espiritual. (…)»

(Excertos do Capítulo 4, «Etéreas flores», do livro «Espíritos das Luzes», de Octávio dos Santos – Gailivro, 2009)

em Homepage     

Terreiro do Paço antes de 1755 recriado virtualmente

Num novo projecto coordenado pelas Profs. Alexandra Gago da Câmara e Helena Murteira do CHAIA/Univ. Évora, com coordenação e apoio de Octávio dos Santos, e desenvolvido pela Beta Technologies, a Real Ópera do Tejo ganhou nova vida e uma envolvente: agora, para além de uma remodelação das fachadas, foi reconstruída a maior parte da área do Palácio Real, incluindo o palácio manuelino e filipino, a Torre de Terzi, assim como os jardins com a Torre do Relógio, a Rua da Capela, e as quadras (pracetas) no interior do palácio manuelino (ficando para a fase seguinte a reconstrução da Patriarcal).

No seguimento deste trabalho de reconstrução em modelação 3D (conhecido por “arqueologia virtual”), o modelo desenvolvido em 2006 para a Real Ópera do Tejo sofreu algumas alterações a nível das fachadas e das entradas. Tratou-se de um trabalho de investigação elaborado a partir de diversas plantas da época e novas gravuras, que mostram que a proposta anterior não estaria inteiramente correcta — pois não permitiria a passagem de carruagens na Rua da Capela, a norte da Real Ópera. É assim que se espera que este projecto continue a levar aperfeiçoamentos e melhorias, à medida que são tomados em consideração novos elementos históricos — os trabalhos na Real Ópera “virtual” têm continuidade no tempo e não são “estáticos”.

Deu-se assim uma nova vida a uma Lisboa barroca, desconhecida, de um tempo que não é o nosso e do qual só podemos guardar a memória.

Podem ser vistas mais imagens neste álbum de fotos e em breve será publicado o trabalho apresentado em workshop no VAST2008 em que a zona ocidental do Terreiro do Paço foi mostrada.

Embora a tecnologia utilizada continue a ser o Second Life, o trabalho desenvolvido, nesta fase, ainda se encontra numa área de acesso restrito. No entanto, serão sempre possíveis visitas excepcionais, a combinar (contactar a Beta Technologies para o efeito).

Com tempo, e com a expectativa de financiamento adequado, o objectivo final será o da reconstrução de toda a Lisboa pré-pombalina nas vésperas do Terramoto de 1755. Trata-se de um projecto decerto ambicioso e que não prevê apenas a mera “reconstrução”, mas sim a criação de um espaço interactivo e imersivo onde os visitantes, no Second Life, possam assistir a espectáculos de música barroca, efectuar visitas guiadas por especialistas da época, assistir a congressos online, e, quiçá, efectuar formação remota neste período tão fascinante, totalmente rodeados de uma Cidade Perdida que não é a Lisboa que conhecemos de hoje.

Ópera do Tejo de novo no Second Life

Exterior da Ópera do TejoGraças a um apoio da American Library Association, que patrocinou o espaço necessário para manter visitável a reconstrução virtual da Ópera do Tejo no Second Life, esta voltou a re-abrir ao público, podendo ser livremente visitada por qualquer pessoa que tenha um acesso ao Second Life (o registo é gratuito e pode ser feito aqui).Uma vez instalado o Second Life, basta clicar neste link para visitar a Ópera.

Houve algumas melhorias que foram introduzidas nesta “terceira reconstrução”, nomeadamente, um trabalho de retexturização mais realista e detalhado, de forma a dar ao edifício um aspecto ainda melhor.

Resumos de artigos académicos sobre a Ópera do Tejo

Disponíveis nesta página da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

em Homepage     

Filme de Animação da Ópera do Tejo

Realizado para a comunicação «A Nostalgia de um Património Desaparecido: Uma Obra Emblemática de Encomenda Régia na Lisboa do XVIII – A Real Ópera do Tejo» no colóquio internacional «O Grande Terramoto de Lisboa: Ficar Diferente», organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas em colaboração com a FLUL e a Fundação Cidade de Lisboa, e apresentada a 3 de Novembro de 1755.

YouTube Preview Image

Limitações de tempo e de tecnologia disponível não permitiram uma qualidade melhor desta animação, embora esteja em projecto uma realização de qualidade superior.

Plantas e Alçados da Ópera do Tejo

O primeiro passo na reconstrução virtual passa pelo levantamento do existente — no nosso caso, infelizmente muito pouco, apenas algumas gravuras, uma planta e um alçado:

opera_corte.jpg opera_cave_escala.jpg