Ópera do Tejo de novo no Second Life

Exterior da Ópera do TejoGraças a um apoio da American Library Association, que patrocinou o espaço necessário para manter visitável a reconstrução virtual da Ópera do Tejo no Second Life, esta voltou a re-abrir ao público, podendo ser livremente visitada por qualquer pessoa que tenha um acesso ao Second Life (o registo é gratuito e pode ser feito aqui).Uma vez instalado o Second Life, basta clicar neste link para visitar a Ópera.

Houve algumas melhorias que foram introduzidas nesta “terceira reconstrução”, nomeadamente, um trabalho de retexturização mais realista e detalhado, de forma a dar ao edifício um aspecto ainda melhor.

Resumos de artigos académicos sobre a Ópera do Tejo

Disponíveis nesta página da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Filme de Animação da Ópera do Tejo

Realizado para a comunicação «A Nostalgia de um Património Desaparecido: Uma Obra Emblemática de Encomenda Régia na Lisboa do XVIII - A Real Ópera do Tejo» no colóquio internacional «O Grande Terramoto de Lisboa: Ficar Diferente», organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas em colaboração com a FLUL e a Fundação Cidade de Lisboa, e apresentada a 3 de Novembro de 1755.

Limitações de tempo e de tecnologia disponível não permitiram uma qualidade melhor desta animação, embora esteja em projecto uma realização de qualidade superior.

Plantas e Alçados da Ópera do Tejo

O primeiro passo na reconstrução virtual passa pelo levantamento do existente — no nosso caso, infelizmente muito pouco, apenas algumas gravuras, uma planta e um alçado:

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A Ópera Real de Lisboa

Encomendado à família Bibiena – prestigiados arquitectos cénicos italianos - a curta existência do espaço não impressionou a memória urbana, nem deixou documentação vasta.

De certa forma, esta é a proposta fantástica de um edifício real tornado mítico – uma montagem de elementos reais da época que poderiam ter coexistido num espaço com características únicas na Lisboa do Séc. XVIII.

Link para PDF sobre a reconstrução virtual da Ópera do Tejo efectuada pela ARCI em 2005.

Reconstrução musical

A reconstrução da Ópera do Tejo não passa apenas pela sua arquitectura — mas igualmente pela sua música. Felizmente para nós, esta resistiu aos tempos, e recentemente a Orquestra Metropolitana de Lisboa conseguiu gravar um excerto de uma das duas peças que foram apresentadas na Ópera do Tejo durante a sua breve existência.

Por cortesia do André Cunha Leal da Antena 2, reproduzimos aqui um excerto.

Arqueologia virtual

O que fazer quando determinada obra arquitectónica se encontra irremediavelmente perdida para todo o sempre, embora sobrevivam descrições (e mesmo gravuras ou imagens) do edificado?

Uma área que alia a pesquisa histórica, a arqueologia, e a tecnologia informática dá pelo nome de arqueologia virtual. Com este tipo de tecnologia, é possível reconstruir um edifício perdido e torná-lo «habitável» de novo graças às maravilhas das realidades virtuais (ou mundos sintéticos, que é a designação actualmente mais correcta).

Para dar de novo vida ao espaço da Ópera do Tejo, recorreu-se à plataforma Second Life, que permite este tipo de reconstrução virtual num «mundo sintético» com mais de dois milhões e meio de utilizadores (cerca de 20 mil dos quais portugueses, e provavelmente cem mil pessoas que falam português).

De 1755 a 2007…

dirk-stoop.jpg… abrem-se aqui estas páginas…

Object(iv)o: Ópera do Tejo revisitada

Em 2004, e certamente sob a influência da experiência que adquirira enquanto jornalista especializado em factos e figuras ligadas às tecnologias de informação e comunicação, estabeleci os primeiros contactos com vista à constituição de um grupo de trabalho, de uma equipa multidisciplinar, que, utilizando, se possível, os mais avançados sistemas e ferramentas de computação gráfica, procedesse, mais do que à reconstituição virtual (modelação e animação de exteriores e interiores), quase a uma autêntica «ressurreição» de um edifício desaparecido a 1 de Novembro de 1755 e que fora inaugurado… a 2 de Abril desse mesmo ano! Qual? O Teatro Real do Paço da Ribeira… que ficaria conhecido por Ópera do Tejo por, claro, ficar situado junto ao rio, no espaço entre os actuais Praça do Comércio e Cais do Sodré, mais ou menos onde está hoje o Arsenal da Marinha.

A que então era considerada a maior e a melhor «casa da música» da Europa foi erigida por iniciativa do Rei D. José. O monarca continuava assim a tradição, iniciada pelo seu pai e antecessor, D. João V, e prosseguida pela sua filha e sucessora, D. Maria I, de alto patrocínio, por parte da Casa Real portuguesa, à arte da música. Em consequência dessa autêntica política de «mecenato cultural», muitos músicos estrangeiros, em especial italianos, foram convidados a vir e mesmo a residir no nosso país, para tocarem, ensinarem e comporem. Como seria de prever, depressa se sentiu a necessidade de construir um edifício que não só corporizasse, desse forma concreta, a esta atitude, a esta estratégia para com a arte em geral e para com a música em particular, mas que também simbolizasse a benevolência, o bom gosto e a magnificência dos soberanos. Curiosamente, foi também a um italiano que se encomendou, em 1752, o projecto do teatro: Giovanni Carlo Bibiena, filho de outro famoso arquitecto, Francisco Bibiena. A construção terá sido dirigida por João Frederico Ludovice, que já trabalhara no Convento de Mafra. Todos os documentos existentes sobre o edifício – textos descritivos, testemunhos de nacionais e de estrangeiros, plantas (projectos) e desenhos tanto de antes como de depois (do terramoto) – coincidem no salientar da sua imponência e sumptuosidade, no realçar da sua superioridade tanto estética como técnica em comparação com tudo o que se havia feito no género até aí. A estreia decorreu ao som da ópera de David Perez «Alessandro nell’Indie», cuja encenação requeria, a dado momento, a presença simultânea de 25 cavalos no palco! Mas não era só este o único sector do teatro com dimensões desmesuradas: a plateia teria seiscentos lugares e haveria três ou quatro ordens de camarotes, cada uma delas com oito; existiria uma extensa área de apoio sob o palco, com camarins, oficinas e escadas para a entrada e saída dos artistas e para o acesso aos outros pisos e zonas. A Ópera do Tejo seguia o modelo de uma edificação dita de «três volumes» - palco, plateia e átrio – e todos os que nela entravam podiam admirar as «esplêndidas decorações» em que sobressaíam as cores branca e dourada. O Teatro de S. Carlos, aberto em 1793, viria a revelar-se, face ao seu ilustre antecessor, um edifício menor… em tamanho e em luxo.

Porquê um projecto como este? O seu interesse e, logo, a sua justificação, podem ser encontrados na própria história deste teatro e no período durante o qual ele, por «poucos instantes», existiu. Trata-se, no fundo, de resgatar ao esquecimento quase geral – quantos de nós sabiam que este edifício tinha existido? – (mais) uma prova irrefutável de que no passado os portugueses também alcançaram elevados patamares de excelência artística (artes como as entendemos hoje e «artes» enquanto ofícios), em que se colocaram ao nível, e mesmo acima, do que se fazia na Europa e no Mundo. Enfim, está em causa (re)colocar a Ópera do Tejo entre o inventário do património arquitectónico histórico português: não devem ser só as construções que permanecem (mais ou menos) inteiras e aquelas das quais subsistem apenas vestígios arqueológicos, físicos, «palpáveis», que merecem um lugar na «memória oficial».

A primeira pessoa que contactei, e que convidei, para a tarefa de «reconstruir» a Ópera do Tejo foi Maria Alexandra Gago da Câmara, docente e investigadora com trabalhos publicados sobre os teatros do século XVIII. E da entidade escolhida para «parceira tecnológica», a Associação Recreativa para a Computação e Informática, vieram os restantes elementos da equipa: Silvana Moreira e Luís Sequeira. A ARCI desenvolve a sua actividade com base – preferencial – na plataforma Second Life, mais uma iniciativa de vanguarda tecnológica - e filosófica? - de origem norte-americana.

Hoje, 1 de Novembro de 2005, passam 250 anos sobre a destruição, pelo Terramoto de Lisboa, do Teatro Real do Paço da Ribeira, ou Ópera do Tejo.

(in Octanas)

Oráculo: Ópera do Tejo «reabre» a 3 de Novembro

Hoje, 22 Outubro de 2005, a edição Nº 1721 do jornal Expresso traz, no seu caderno Actual, um suplemento de 24 páginas (e, no seu caderno principal, dois textos na página 19) sobre a passagem, no próximo dia 1 de Novembro, dos 250 anos do Terramoto de Lisboa. E entre as muitas iniciativas previstas para assinalar essa efeméride que ali são referidas, uma há que, mais do que a minha participação, recebeu de mim o impulso inicial – é uma ideia, um projecto, que tive aquando da preparação do meu livro «Espíritos das Luzes»: a reconstituição virtual em computação gráfica de um dos mais extraordinários edifícios que já existiram em Portugal, e que, tal como outros, foi destruído por aquele grande cataclismo – o Teatro Real do Paço da Ribeira, ou, como ficou mais conhecido, a Ópera do Tejo.

A primeira apresentação desse trabalho de «reconstrução» vai ter lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no próximo dia 3 de Novembro, no segundo dia do colóquio internacional «O Grande Terramoto de Lisboa: Ficar Diferente», organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas em colaboração com a FLUL e a Fundação Cidade de Lisboa. «A Nostalgia de um Património Desaparecido: Uma Obra Emblemática de Encomenda Régia na Lisboa do XVIII - A Real Ópera do Tejo» é o título da comunicação» é o título da comunicação que será lida por Alexandra Câmara. Especialista, docente e investigadora, historiadora da arte com obra publicada sobre os teatros em Portugal no século XVIII, ela será como que a «porta-voz» do grupo de trabalho que eu integro, e que conta ainda com Luís Sequeira e Silvana Moreira, da Associação Recreativa para a Computação e Informática, que procederam, com base nos materiais disponíveis, à modelação tridimensional do desaparecido teatro; e porque os testemunhos conhecidos que ficaram desse notável edifício não são muitos, a obra exibida será não uma reprodução rigorosa mas sim uma evocação que se pretende o mais aproximada possível.

A nossa equipa e o nosso trabalho estarão em foco, além de na imprensa, também na rádio e na televisão: a 27 de Outubro é emitida na TSF uma entrevista a Alexandra Câmara, uma entre várias feitas a diversas personalidades que abordam a grande tragédia do Dia de Todos os Santos de 1755; e em Dezembro, em dia a anunciar, o programa «Entre Nós», da responsabilidade da Universidade Aberta e transmitido na RTP 2, será inteiramente dedicado a… nós.

(in Octanas)



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